Lições de 2020 à educação

Início de ano é uma época propícia para reflexões, agradecimentos e promessas de novas ações…  2020 foi um ano desafiador: de repente nos vimos isolados, sem encontros presenciais, sem abraços e outras necessidades que nos fazem humanos.               

Foi necessário romper obstáculos e para muitos o uso de tecnologia digital no campo pessoal e profissional não pode ser mais adiado. E assim, as tecnologias digitais foi a campeã ou a vilã, dependendo de sua perspectiva. 😆😆😆

Todo profissional tem enfrentado desafios nessa pandemia. Todo mundo tem sido “convocado” a aprender, descobrir novos caminhos e encontrar coragem para prosseguir em meio a tempestade. E no final das contas, cada um fez o que pode e deu o seu melhor para transitar por um mundo que se viu imperado por telas. 💪💪🏼💪🏻💪🏿

Na educação, a escola se viu desafiada a rever seu papel de considerar-se detentora do conhecimento. Professores tiveram que transformar sua casa e seus aparelhos digitais em um local/instrumento de trabalho. Pais se viram desafiados a participar da vida escolar de seus filhos de forma mais ativa, transformando-se em professores sem ter a formação adequada. Alunos tiveram que se “virar nos 30” para abstrair conceitos, muitas vezes sem  a mediação do professor.  Enfim, não foi fácil para ninguém. Mas então, o que 2020  tem a nos ensinar?

Longe de querer oferecer respostas ou receitas. Minha intenção é apenas refletir . E com essa intenção, é que escrevo algumas reflexões que fiz durante esse processo pandêmico.

Equidade no acesso à Internet e uso de dispositivos digitais

6 milhões de estudantes não tem acesso à Internet, sendo 5,8 milhões oriundos de escola pública, segundo dados da pesquisa do IPEA, realizada em setembro de 2020.

“A  pesquisa conclui que a universalização do acesso às atividades remotas entre estudantes de instituições públicas demanda múltiplas estratégias. A distribuição de chips de dados seria suficiente para conectar 800 mil estudantes da rede pública que já contam com sinal de internet e dispositivos. Para 1,8 milhões de alunos que não têm equipamentos, haveria necessidade de distribuir tablets ou celulares com chip de dados. Os que sequer têm acesso ao sinal de internet são 3,2 milhões – para eles, recomenda-se a utilização de kits de TV digital ou apostilas e outros materiais físicos.” (IPEA, 2020)

Entendo que é uma situação emergencial. Porém, a pergunta que fica é: qual é a política pública que vai minimizar esse gargalo da educação remota? Na sua cidade, existe preocupação dos governantes em contribuir para a diminuição desse problema?

Educadores como produtores de conteúdo

Impedidos de estar presentes fisicamente, educadores engajados arregaçaram as mangas e transformaram-se em produtores de conteúdo. A mídia até cunhou um termo “pedagogia tiktoker”. Esse esforço é louvável! Entretanto, precisamos aprofundar e unir nosso conhecimento pedagógico ao das áreas da comunicação para utilizarmos todo o potencial que as diversas mídias nos traz.

Personalização do ensino

Muitas redes de ensino optaram por enviar apostilas físicas para os alunos que não tem acesso a Internet. Para mim, o aprendizado é que as atividades precisam ser planejadas pelo professor para sua turma e as estratégias de mediação precisam ser discutidas coletivamente, tanto para os alunos que fazem on-line ou impresso. Afinal, cada instituição tem uma realidade e não dá pra reproduzir um sistema apostilado único em que prioriza respostas objetivas ou que são facilmente encontradas no Google. Por isso, insisto: a personalização é algo urgente e necessária.

Conhecimento Pedagógico no uso de tecnologias digitais

De repente as metodologias ativas que eram utilizadas aqui e ali por instituições ou por professores inovadores passaram a ser mais conhecidas. Como a  aprendizagem será cada vez mais combinada, ou seja, o presencial e on-line vão se fundir cada vez mais, precisaremos entendermos melhor o que é a didática digital, pois não dá simplesmente achar que dá para fazer no on-line, o que se fazia em salas presenciais.

Na educação remota emergencial, muitos professores levaram sua prática de aulas transmissivas para as aulas ao vivo utilizando aplicativos de Webconfrerência, como o Zoom ou o Meet, o que gerou novos desafios que precisam ser enfrentados, como a fadiga Zoom.

Ao optar por aulas teóricas transmissivas on-line é preciso lembrar que aulas no estilo palestras o foco está na compreensão do conteúdo. Como educadores sabemos que os os alunos aprendem muito mais através da interação seja ela feita com o professor, com os colegas ou com as atividades propostas. Foi e continua sendo desafiante encontrar estratégias para que os alunos liguem as câmeras e participem ativamente, pois os alunos perdem o foco após 10 ou 15 minutos de conteúdo transmissivo.

Educação  digital para todos

Em um país de muitos analfabetos (funcionais ou não) ainda temos  muitas pessoas que não tem conhecimento digital básico. Então, o que defendo é a criação de politícias públicas em Educação Digital, com investimentos a curto, médio e longo prazo que pense só em acesso e disponibilização de equipamentos, mas também na formação digital de alunos, pais e professores para um uso ético, crítico e responsável das tecnologias digitais. Esse uso consciente e responsável começa na inclusão digital, mas não acaba aí. As políticas públicas em Educação Digital devem ser contínuas, administradas pelo governo local e apoiada pelas instâncias superiores.

Temos muitos desafios em 2021 e talvez o maior ensinamento do coronavírus é que não controlamos nada e que tudo pode mudar. Por isso, olhemos para nossas aprendizagens e saibamos ter a flexibilidade de um bambu: dobrar-se durante a ventania, voltar com mais força à posição original e fincarmos nosso conhecimento em nossa base pedagógica, pois não é o uso por si só de tecnologias que nos ajudará a enfrentar os obstáculos. Mas isso é assunto pra outro post.

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