Como as redes de ensino estão se organizando para ensinar durante a pandemia do covid-19

De repente, fomos invadidos por mudança de hábitos e um #ficaremcasa forçado por causa de um vírus que ainda está sendo estudado. O isolamento social tem provocado alterações na forma de trabalhar: muitos trabalhadores estão experimentando pela primeira vez as benesses e os prejuízos do home office; na convivência: famílias estão ficando juntas pela primeira vez e se descobrindo em meio ao caos.. 

E aulas, como ficam?

As instituições privadas correram (faz sentido porque elas dependem das mensalidades dos pais para sobreviverem) e estão oferecendo aulas online; algumas redes públicas procuraram saídas e muitas ainda não se mobilizaram e estão um pouco perdidas. Muitos professores estão enviando atividades por e-mail, outras usando WhatsApp pessoal e redes sociais, como o Facebook. 

Uma escola particular do estado de São Paulo está organizando suas aulas online, utilizando o WhatsApp e o Google Meet. Quem me contou como a escola está se organizando é uma professora que trabalha lá e como não obtive autorização da escola para citar seu nome, vou apenas compartilhar a forma como estão se organizando: 

Da 13h às 14h, a professora fica no WhatsApp,  tirando dúvidas individuais de alunos ou pais.

Às 14 horas às 16h30, a professora fica online ministrando aulas usando o Google Meets.

Em relação as tarefas, os pais enviam uma foto no WhatsApp e a professora dá a devolutiva do que foi feito.

Na Educação Infantil, os alunos são divididos em pequenos grupos e a professora fica online uma hora com cada um deles.

 

 

Uma iniciativa individual louvável

A Myriam Cibele de Castro é uma professora que criou uma página do Facebook que tem a intenção de esclarecer dúvidas e orientar sobre prevenção sobre o Covi-19.  Nessa página, tem sugestões de brincadeiras para fazer na quarentena, vídeos informativos e muito mais! Vale a pena conhecer!!!

E a rede pública?

Na intenção de contribuir para o debate de aulas online ou remotas (é tem diferença! Mas vou falar disso em outro post), vou listar aqui alternativas que estou tendo acesso de algumas redes públicas: 

Rede Municipal do Rio de Janeiro

A Secretaria Municipal de Educação lançou um aplicativo com atividades pedagógicas para os estudantes que atende em sua rede: educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos. É um conteúdo de fácil acesso e eu explico como você pode acessá-lo no vídeo abaixo.  Segundo o site da prefeitura do RJ, os professores estão também utilizando as redes sociais para enviar conteúdos dos alunos. Vale ressaltar que esse rede já investe em tecnologia educacional  há anos  (quem aí usa a Educopedia, sabe o que eu estou falando). e tem até um portal específico para isso, ou seja, investe em uma   produtora audiovisual de conteúdos educativos em diversas mídias que trabalha junto à comunidade escolar. 

Acesse o Portal MulRio. E para baixar o conteúdo das atividades pedagógicas em PDF, clique aqui. 

Rede Municipal de Rio das Ostras, RJ

A Secretaria Municipal disponibilizou em seu portal diversos conteúdos pedagógicos, tanto para downloads ou com sugestões de links. Destaco nessa iniciativa a sessão “aprender com jogos”. Ao pensar na ludicidade dos estudantes, indicam diversos jogos para que os estudantes possam aprimorar suas habilidades cognitivas. Clique aqui para acessar. 

Rede Municipal de Campinas

A rede municipal está adotando o Google Sala de Aula de forma gradativa: estabeleceu um cronograma (a partir de abril) para que professores e alunos se ambiente nas salas virtuais . E segundo informações do site do G1, serão disponibilizados equipamentos e acesso a Internet. 

Rede Estadual do Paraná

A Secretaria de Educação  do PR está adotando as seguintes diretrizes: transmissão de aulas ao vivo pelo Youtube, utilização de um aplicativo Aula Paraná, onde os estudantes poderão interagir com os professores em tempo real, parceria com operadoras de Internet para que o aplicativo não consuma dados e utilização do Google Sala de Aula.

No Google Sala de Aula, os alunos encontrarão links para formulários, aulas do Youtube e materiais complementares. As presenças serão calculadas de acordo com as atividades entregues e quem não tem Internet poderá entregar no papel em suas escolas. 

Achei bem organizada as iniciativas dessa Secretaria. Entretanto, não achei as aulas disponibilizadas no Youtube. Se alguém tiver encontrado, coloque nos comentários que atualizo o post, ok?

 

Rede Estadual de Santa Catarina

A rede estadual de SC desenvolveu uma página específica para atividades, orientações e estímulo à aprendizagem familiar. Também é dividida por segmentos tem diversos conteúdos, como: prevenção ao vírus, brincadeiras, indicações de canais educativos, filmes e leituras. Segundo informações no site, a proposta é orientar os pais e oferecer aos estudantes atividades complementares de conteúdos previstos no plano de ensino e não serão consideradas como horas-aula no ano letivo. Eles tema intenção de aperfeiçoar a página e pedem que pais e alunos enviem sugestões de melhorias para serem analisadas. No retorno das férias, os professores serão convidados a sugerir melhorias para a construção do canal. Clique aqui para acessar a página. 

Uma experiência dos EUA

A professora Adriana, minha colega da rede municipal de Pouso Alegre, me contou que seus netos moram nos EUA e compartilhou a experiência: quem não tem celular ou acesso a Internet irá receber um computador da escola com Internet incluído.

Voltando a realidade brasileira

O que é possível notar nessas iniciativas que listei acima é: as redes que já investem em tecnologias educacionais há anos, como a Rede Municipal do RJ e a Rede Estadual do PR, conseguem pensar em estratégias mais organizadas. 

Tenho visto muitas paródias, como a do humorista Diogo Almeida, memes com críticas relacionadas às aulas online.  É uma situação muito complicada porque as poucas redes que tinham núcleos tecnológicos, os desmantelaram… muitos computadores estão jogadas as traças devido a falta de suporte técnico, muitos profissionais não investem em seu conhecimento tecnológico, famílias não tem recursos para internet… então, no fim muitas estão enviado atividades por Whats ou por email.. mas aí mais uma vez a exclusão acontece.. e quem não tem? E por isso, é preciso pensar em muitas variáveis para implantar esse tipo de aula, como falei no post Aulas Online: critérios para escolha de ferramentas digitais

O fato é que se tivermos que ficar meses em isolamento social, teremos que aprender a usar melhor os recursos digitais porque não dá para querer fazer o mesmo que fazemos nas aulas presenciais. Por mais que  comediantes como o Diogo Almeida provoquem risos, a pandemia veio evidenciar o que falo há anos: é necessário que cada um invista em suas competências digitais, senão corre-se o risco de ser igual aquele professor que só dá atividade impressa (seja em folhas avulsas ou livros) ou só passa matéria no quadro e acha que assim os alunos irão consolidar os contéudos. O que estou dizendo aqui é que precisamos aprender a mediar através dos recursos digitais e quem não sabe fazer isso no presencial, também não o fará no online…Enfim, é preciso pensar na metodologia também… Mas isso fica para um próximo post…

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Marcela Dâmaris

Mestre em Educação pela Universidade Federal de Lavras, é professora da educação básica da rede municipal há mais de 20 anos. Atua como formadora na área de letramento digital na modalidade presencial e à distância. Já coordenou diversos projetos tecnológicos e atualmente, é empreendedora digital e oferece cursos online e presenciais com foco no letramento digital.

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